segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Alimentação nos dias difíceis...

 Nos dias difíceis, o mal estar que nos atormenta passa a revestir todo o sentido da nossa presença... Não queremos falar com ninguém, não admitimos que os outros reparem no nosso aspecto de "urso de peluche centrifugado", deixamos de ter posição para estar de modo confortável e sobretudo perdemos por completo a imaginação e qualquer restinho de bom humor quando tentamos escolher o que comer.

A fase activa da doença caracteriza-se pela presença de sintomas que se associam a uma situação inflamatória. Sempre que uma situação inflamatória se verifica, todos os médicos são unânimes, é fundamental ter alguns cuidados especiais com a alimentação. Sabe-se que alguns alimentos têm propriedades reparadoras, que ajudam a cuidar do desconforto que nos afecta.

Nestes momentos devem ser preferidos alimentos de fácil digestão e elevado teor de água, como as sopas (de legumes), caldos ou fruta cozida. Quando se sentir pronto, o doente poderá comer, carne branca magra ou peixe, iogurte natural, hidratos de carbono complexos (arroz, batata e pão), fruta e vegetais (de cor verde).   

De um modo geral deverão ser evitados:
  • Alimentos ricos em fibras insolúveis (fruta crua, fruta com casca, vegetais, saladas, leguminosas);
  • Alimentos pouco refinados (integrais);
  • Alimentos com excesso de açúcar e gordura;
  • Alimentos picantes;
  • Alimentos causadores de flatulência;
  • Bebidas alcoólicas;
  • Bebidas desportivas (devido ao elevado teor de açúcar e substancias activadoras como a cafeína).
  • O consumo de água deverá ser aumentado para cerca de 1,5l a 2l.  
Em alternativa  deverão ser preferidos:
  • Arroz;
  • Lacticínios com baixo teor de lactose; 
  • Cenoura cozida;
  • Banana, fruta cozida ou assada, sem casa;
  • Alimentos mais refinados (não integrais);
  • Carnes brancas; 
  • Peixe, principalmente os gordos; 
  • Gorduras de origem vegetal.

Actualmente os médicos defendem que a maioria dos doentes podem e devem fazer uma alimentação normal (sem restrições) nos períodos em que a doença não se encontra numa fase activa (numa fase em que não se verificam sintomas). Os alimentos excluídos devem ser reintroduzidos progressivamente, um alimento de cada vez, com 2 a 3 dias de intervalo. 

Muitos adultos manifestam alergia ou intolerância sistemática a alguns alimentos. Embora haja alguns exames que podem ajudar a clarificar a existência destas situações, é possível efectuar um teste simples que consiste em ingerir um determinado alimento "suspeito" numa altura em que não haja sintomas (eczema, urticária erupções cutâneas, dores de cabeça, irritação ocular e das vias nasais e perturbações gastrointestinais), caso não ocorra reacção durante um período de 3 dias, significa que o alimento é bem tolerado. Quando ocorre reacção, de acordo com da gravidade/ intensidade dos sintomas, poderá voltar a repetir-se o teste noutra altura de modo a confirmar esta reactividade (esta situação deve ser registada e partilhada com o médico assistente).

 A utilização da tabela de registo que mostrei na mensagem anterior, poderá revelar-se útil para identificar a tolerância aos diferentes alimentos. 

Por vezes, existem alguns alimentos que quando cozinhados de determinado modo, ou conjugados com alimentos específicos, podem vir a ser melhor tolerados. Tal sucede porque substancias como as fibras solúveis ou outras, presentes em determinados alimentos, podem ser neutralizadas pela acção do calor, tempero, ou pela conjugação com alimentos com acção mais calmante do aparelho digestivo. 

Descobrir o funcionamento do corpo, estudar alternativas, respeitar os limites e conhecer soluções adequadas, são passos fundamentais de um processo de reeducação dos nossos hábitos, que tem como objectivo conseguir equilibrar o corpo, permitindo-nos viver de um modo mais saudável e harmonioso.
Dá trabalho, mas vale a pena!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O herói torturador

A ida ao médico é sempre um momento repleto de grande expectativa e esperança. Por mais, que tentemos encarar a visita ao médico como parte da nossa rotina, a verdade é que ao entrar naquele gabinete levamos sempre a esperança de que nos seja concertado o desconforto ou que seja confirmado o nosso bom estado de saúde, mas nem sempre isto acontece... 

Por vezes a nossa incapacidade para explicar devidamente o que sentimos, ou as dúvidas levantadas pelos sintomas apresentados, fazem-nos ir embora com grandes interrogações na cabeça e algumas requisições para exames no bolso. A desilusão não espera por aparecer, e no fundo da nossa cabeça rogamos pragas à vida por sairmos daquele lugar com um problema para resolver.

Os dias que se seguem transportam uma dose constante de ansiedade e sem nos darmos conta, acabamos a tentar adivinhar o que se passa connosco e a cultivar medos, dúvidas e angustias com o mesmo carinho que faríamos com uma planta bela e rara. O médico, que até esse dia estava arrumado na nossa cabeça dentro da gaveta dos heróis, vai passar férias para a gaveta dos incompetentes, dos torturadores...

Por vezes, acontece termos também a sensação de falar chinês... aquelas frases feitas como "isso é a sua cabeça a trabalhar mais depressa que a barriga" ou "não deve evitar fazer nada, tem que comer de tudo e levar uma vida normal, não seja piegas", doiem mais que murros no estômago, confesso que penso logo "estás a dizer isto porque não és tu a sentir as dores e o desconforto, talvez te fizesse bem sentir!". 

Na verdade não é fácil para os médicos compreender a agitação interna de quem se treinou ao longo do tempo para tolerar uma dose considerável de desconforto, com uma aparecia exterior de tranquilidade e normalidade. Um dos professores que mais me influenciou, chamava a esta capacidade "teoria do pato" - quando o vemos a deslizar sobre a água tranquilamente, não temos noção da agitação das suas patas no interior do lago.Tal não significa que tenhamos que encenar um mal estar intolerável, mas mostra-se útil fazer algum tipo de registo daquilo que nos aflige (frequência, grau de desconforto, tipo de dor e local da mesma).Habitualmente tenho um caderninho do bizarro para fazer estas anotações, mas nas aturas em que me sinto pior, registo em tabelas como a que se encontra abaixo (coisas como: a que horas ingiro o quê, episódios de dor, idas ao WC, nível de stress ou ansiedade e tomas de medicação). Apesar de parecer algo bastante obsessivo, estes registos ajudam-me a reeducar os meus hábitos e a distinguir o que é fruto do meu comportamento ou stress e o que não é controlável por mim. Ao encontrar um padrão (sempre que faço isto, sucede aquilo), posso apresentar ao meu médico queixas e dúvidas mais concretas, e assim facilitar o seu trabalho, levando-o a compreender melhor a minha "agitação interior".



2ª
3ª
4ª
5ª
6ª
Sáb.
Dom.
Horas



















Horas




















Infelizmente, a medicina não tem ainda solução para tudo, mas tem já muitos meios que nos podem proporcionar uma vida praticamente isenta de males maiores. O médico que nos assiste não consegue adivinhar tudo, até porque muitas maleitas apresentam sintomas semelhantes, porém, ele é sem dúvida, a pessoa mais habilitada para nos ajudar a tratar das nossas queixas. As visitas ao médico devem ser regulares, com uma periodicidade determinada por este técnico de acordo com a nossa condição de saúde. Devemos ter o cuidado de transmitir a informação de um modo claro e transparente, tendo em conta que nesta relação o medico é quem conhece os fármacos mais adequados para cuidar do nosso problema. Pedir uma segunda opinião, pode revelar-se adequado sempre que nos surjam duvidas quanto ás decisões clínicas  ou diagnósticos efectuados, porém, o médico que nos segue deve merecer a nossa confiança pois só deste modo poderemos alcançar algum sucesso terapêutico.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Hidratação


Elemento fundamental e indispensável à vida, a água é fonte de bem estar e equilíbrio.
  
Na fase adulta o nosso corpo é composto por  cerca de 60 % de água. Responsável pelo transporte dos nutrientes e oxigénio até às células e dos resíduos celulares até ao exterior do organismo, a água encontra-se presente em todos os processos fisiológicos e bioquímicos do corpo, sendo o principal componente das nossas células.

 Beber água ajuda na regulação da temperatura do corpo, previne doenças, ajuda o raciocínio e a atenção, melhora o aspecto da pele, cabelo e unhas, e até previne a retenção de líquidos responsável pela má circulação sanguínea e agravamento da celulite! 

A quantidade de água que cada um de nós deve beber por dia é variável. Segundo os especialistas é de aproximadamente 2 litros, no caso as mulheres e de um litro e meio no caso dos homens, porém saberemos que estamos a beber água suficiente, quando a nossa urina não tiver cor nem cheiro pronunciados.

A frase de ordem parece ser "toca a beber águinha!". Porém, nem toda a água é boa.
 Os consumidores de água engarrafada devem variar a marca que adquirem com alguma frequência. Deste modo, irão equilibrar a quantidade e qualidade de minerais ingeridos, uma vez que a composição química da água de diferentes fontes varia  relativamente às concentrações de minerais e ph.
Após abertas, as garrafas de água devem ser consumidas num espaço relativamente curto de tempo, sobretudo quando se bebe directamente da garrafa. Possivelmente já todos nos apercebemos que a água engarrafada, alguns dias depois de aberta, ganha um cheiro desagradável, denunciador de deterioração na sua qualidade. Quando tal sucede, a água deve ser imediatamente deitada fora, porque poderá provocar problemas gastrointestinais. 

Com o objectivo de prevenir eventuais contaminações pela água, devemos preferir beber água engarrafada. A garrafa deve estar selada e em bom estado de conservação.

Por outro lado, devemos sempre preferir bebidas refrescadas a bebidas com gelo, pois o gelo é feito com água que pode não ser de qualidade duvidosa.

A temperatura parece também ser um detalhe importante, diversos estudos demonstram que devemos preferir consumir bebidas á temperatura ambiente ou até mesmo mornas para evitar contrações gastro intestinais desnecessárias causadas pelo choque termico. 
  
A água deverá ser cristalina e não apresentar cor, odor ou sabor. 
Se verificarmos, tal não se aplica totalmente à água da torneira, que contém geralmente uma concentração elevada de produtos poluentes usados para a desinfecção da água que chega até as nossas casas. Para atenuar o efeito nocivo destes produtos no organismo e controlar o excesso de calcário da água (que prejudica a cozedura e propriedades dos alimentos), adquiri há cerca de 3 semanas um jarro filtrante (da marca Brita), que além de possibilitar poupar o ambiente (pois diminui o numero de garrafas de água vazias), permite melhores resultados na confecção dos alimentos(estou muito satisfeita).

Além dos efeitos benéficos da sua ingestão, e da sua indiscutível utilidade ao nível dos cuidados de higiene, o contacto do nosso corpo com a água tem efeitos relaxantes, tonificantes e revitalizantes de extrema impotência para o nosso bem-estar emocional.  Todos conseguimos apreciar o efeito reconfortante de um banho de imersão, ou o prazer e diversão que um banho de mar pode proporcionar. 

Os centros termais, exploram há centenas de anos o poder terapêutico da água, registando nos últimos anos uma crescente procura de pessoas de todas as idades.  Um maior reconhecimento dos benefícios da água levou igualmente à abertura de um crescente número de centros SPA (cujo nome deriva da expressão latina "salute per aqua"), que aliando conhecimentos medicinais à estética, proporcionam aos clientes momentos revigorantes do corpo e da mente, promovendo um profundo bem estar e um importante reforço da auto-estima.


terça-feira, 19 de julho de 2011

Prevenir "Intestinos Apressados"

Antes desta breve reflexão sobre a adopção de comportamentos que podem ajudar a prevenir gastroentrites, nunca é demais salientar que o nosso principal objectivo deverá ser agir de modo equilibrado, fugindo de qualquer comportamento ou preocupação excessiva. Os portadores de DII apenas deverão estar mais atentos por serem mais vulneráveis, mas tal não deverá impedi-los de ter uma vida normal e tranquila. 

A expressão popular "pela boca morre o peixe" reflecte, neste contexto, a atenção que devemos dar ao que entra em contacto com a nossa boca, uma vez que este órgão é a principal porta de entrada no nosso organismo de vírus, bactérias e outras substâncias que fazem o corpo adoecer. Prevenir a contaminação por estes agentes patogénicos é então possível, muitas vezes, se tivermos algum cuidado com a higiene e com a conservação alimentar.


Perante a convicção de que sabia cuidar devidamente da minha higiene, fui surpreendida, pela evidencia de que o meu comportamento a este nível era bastante descuidado quando confrontada com as medidas adicionais de higiene adoptadas um pouco por toda a parte a propósito da gripe A. Desde então, aprendi a lavar as mãos de um modo mais adequado e passei as estar mais atenta, evitando alguns comportamentos que até então tinha de forma automática. "Quantos de nós perante a dificuldade em abrir os sacos no supermercado ou virar a página de um qualquer livro ou revista, passamos, sem dar conta, o dedo pela língua?"  

- A higiene das mãos é de extrema importância, sobretudo antes das refeições ou da preparação de alimentos.
- Devemos igualmente dedicar alguma atenção à toalha onde limpamos as mãos, tendo o cuidado da mesma se encontrar limpa, seca e sempre que possível, não a partilharmos com outras pessoas.
- Na cozinha, os utensílios e as bancadas devem estar limpos.
- Após lavada, a loiça deve ser guardada logo que possível para evitar a contaminação da mesma.
- O esfregão da loiça e panos de limpeza de bancadas reúnem condições favoráveis ao desenvolvimento de bactérias (humidade, ar, nutrientes provenientes dos restos dos alimentos e temperatura). Uma forma de evitar que tal aconteça consiste em embrulhar em papel absorvente de cozinha, o esfregão e panos de bancada após limpos de restos de alimentos, e colocá-los no microondas na temperatura máxima durante cerca de dois minutos.
- Deve evitar-se a utilização de utensílios de madeira, e quando usados os mesmos deverão ser devidamente desinfectados (lixívia ou lavagem a alta temperatura).

- Por não ser fácil controlar as condições de higiene dos produtos alimentares antes dos mesmos chegarem até nós devemos ter algum cuidado com a higiene dos mesmos antes da sua utilização. As frutas e vegetais devem ser lavados com agua e vinagre, adicionando umas gotas de lixívia à água, ou usando um produto à venda no mercado para esse efeito. Este procedimento torna-se mais importante nos meses de Verão, pois nesta altura, os produtos hortícolas reúnem tendencialmente maiores concentrações de substâncias nocivas (pesticidas e bactérias).
- Sempre que não é possível assegurar a lavagem destes produtos, devemos preferir consumi-los cozinhados ou descascados.

A escolha dos alimentos no momento da compra reveste-se igualmente de particular importância, na medida em que o tempo e a temperatura influenciam  a sua qualidade contribuindo para o desenvolvimento de bactérias.


- A fruta e os vegetais deverão apresentar uma aparência viçosa e cor homogénea. A presença de caracóis ou lagartas indicam geralmente a ausência do uso de pesticidas.

- O talho local geralmente informa qual o dia em que recebe as diferentes espécies animais, assim, podemos adquirir carne mais fresca.  A carne deve ter uma aparência fresca, cor homogénea e brilhante, e não deverá apresentar qualquer odor intenso.
- Devemos evitar comprar carne temperada ou que tenha sido previamente preparada (rolos de carne, rotis, espetadas, hambúrgueres ou almôndegas devem ser preparadas em casa sempre que possível). A carne moída deteriora-se mais facilmente, pelo que, devemos picar a carne em casa ou solicitar que a mesma seja picada no acto da compra.

- O peixe deve ser o mais fresco possível  tendo um aspecto brilhante, cobertura de escamas completa, olhos salientes e cristalinos, não devendo apresentar odor desagradável. Os peixes são mais saborosos quando estão mais gordos e tal poderá ser observado através do lombo que deve ter um aspecto preenchido.



 Após a compra, o modo como os alimentos são acondicionados e conservados terá uma influencia determinante para a manutenção da sua qualidade. Embora pareça um procedimento bastante simples, a conservação dos alimentos poderá ter algumas particularidades. Os alimentos não podem ser todos conservados de igual modo, uma vez que a preservação da sua qualidade varia de acordo com as diferentes  características dos prdutos. Assim, nem todos os alimentos podem ser congelados e o prazo de validade após a sua congelação pode igualmente variar. Para o esclarecimento de duvidas mais específicas deixo a indicação de alguns sites que considerei muito úteis:



Em todo o caso, atrevo-me a deixar aqui um pequeno resumo daquilo que habitualmente tenho o cuidado de fazer.
- Antes de mais, devemos conhecer o funcionamento do nosso frigorífico.
- O frigorífico e o congelador devem ser descongelados e  limpos periodicamente.
- Não devemos misturar alimentos crus com alimentos cozinhados.
- Os alimentos devem ser embalados devidamente e devem ser consumidos no menor prazo possível.

A conservação de alimentos através da congelação deve ser feita em embalagens adequadas. Os alimentos deverão estar acondicionados em doses  individuais para facilitar a descongelação.
- Devem ser anotadas as datas de congelação.
- Deve ser adicionado pouco sal aos alimentos a congelar, pois atrasa o processo de congelação.
- Deve accionar-se o mecanismo de congelação rápida sempre que congelamos novos alimentos.
- Os alimentos devem ser descongelados de modo gradual sem serem sujeitos a alterações bruscas de temperatura (usando o frigorífico).
 - Depois de descongelados, os alimentos têm que ser cozinhados antes de poderem voltar a ser congelados novamente.
 - Os alimentos não devem ser mantidos congelados por longos períodos de tempo, devendo ser consumidos logo que possível.

Por vezes, aquilo que nos parece ser absolutamente "senso comum", parece revelar-se, na realidade, bastante mais complexo. Lidar com a DII é um processo de aprendizagem constante e a conquista da autonomia só se efectiva quando conhecemos procedimentos que nos podem ajudar a sentir saudáveis durante mais tempo. 




sexta-feira, 15 de julho de 2011

Causas dos "Intestinos Apressados"


"Porque é que os meus intestinos não têm calma nenhuma???"
Esta é uma pergunta que fiz dezenas de vezes a mim mesma, embora só há pouco tempo tenha percebido verdadeiramente a resposta.  Se pensarmos na pele que reveste o exterior do nosso corpo, facilmente percebemos que as pessoas têm tipos de pele diferentes e que em todas elas, há alturas em que a pele fica mais sensibilizada (por exemplo pela agressão dos elementos, de agentes químicos ou de alimentos). Porém, há também pessoas cuja pele é naturalmente sensível. Nesses casos, a pele é mais vulnerável a sofrer irritações tornando-se um pouco mais exigente em termos dos cuidados, uma vez que necessita de estar mais protegida, hidratada, nutrida e limpa para se manter saudável.

Se pensarmos bem, com o interior do corpo passa-se exactamente o mesmo. No caso dos portadores de DII, o aparelho digestivo é mais vulnerável a ficar irritado ou inflamado, o que provoca frequentemente cólicas, inchaço, gases e a famosa diarreia. Tal como acontece com aqueles que têm pele sensível, os portadores de DII conseguem manter o aparelho digestivo funcional e evitar muito desconforto, desde que tenham algum cuidado.

Conhecer o que pode estar na origem das situações de mal-estar e tratar rapidamente os sintomas, permite evitar o agravamento da DII e adoptar comportamentos preventivos.

A diarreia, que tanto nos atormenta, surge devido a um desequilíbrio no funcionamento do sistema digestivo de menor ou maior gravidade causado por bactérias, protozoários, vírus, alimentos, medicamentos, stress ou como manifestação de situações clínicas mais graves. Sempre que os sintomas persistirem por um período superior a 3 dias, ou se estes episódios se tornarem frequentes, deverá ser consultado um médico.

Para que esta situação seja devidamente assistida, reveste-se da maior importância uma descrição clara dos sintomas, a presença ou não de febre, assim como o número de evacuações durante um determinado periodo de tempo, devendo haver uma particular atenção para alterações de consistência e presença de pus, muco ou sangue.

A gravidade deste processo varia de acordo com a sua duração e intensidade, tendo como consequências imediatas a perda de líquidos (desidratação), electrólitos e perda de peso.

As bactérias estão em todo o lado e algumas delas são fundamentais para o bom funcionamento do nosso corpo. Contudo outras, têm uma acção negativa sobre o aparelho digestivo, afectando o nosso  bem estar.  Algumas bactérias (salmonelas), proliferam geralmente em ambientes nutritivos e húmidos sendo disso exemplo as carnes cruas, o marisco, os ovos, e o leite não pasteorizado. Outras (e.coli), existem sobretudo nas fezes dos animais e podem aparecer na água, nos vegetais (devido aos fertilizantes) sendo frequente a sua transmissão pelo contacto da nossa boca com elementos contaminados.

Na origem destes processos inflamatórios poderão também estar vírus, sendo algumas estirpes bastante contagiosas. Os vírus transmitem-se facilmente através das mãos mal lavadas, bebidas ou comidas partilhadas, toalhas partilhadas e utensilios de cozinha mal lavados. As pessoas mais resistentes podem ser portadoras destes vírus, transmitindo-os facilmente aos outros embora não tenham manifestações físicas dos mesmos.
Tanto no caso da infecção por vírus como por bactérias, os sintomas deverão passar ao fim de 2 ou 3 dias.

Estima-se que 30% a 70 % dos viajantes sejam afectados por episódios de desconforto gastrointestinal. A conhecida "diarreia do viajante" é cortesia frequente dos países menos desenvolvidos, sendo geralmente causada por utensílios, alimentos e água contaminada com bactérias ou outros agentes patogénicos para os quais o nosso organismo não desenvolveu defesas.
Este tipo de infecção em organismos saudáveis é geralmente ultrapassada após 1 dia.

Quando a causa do "intestino apressado" é a medicação, a alimentação ou uma doença, esta situação poderá tornar-se persistente ou muito frequente, devendo ser alvo de atenção especializada.
De entre os diferentes medicamentos que podem afectar o funcionamento do aparelho digestivo, destacam-se os antibióticos, que pela sua acção destroem as bactérias "más", mas também bactérias "boas" que protegem o intestino, tornando-o assim mais vulnerável a outras infecções. 

Ao longo da nossa vida o organismo modifica-se podendo vir a desenvolver, a qualquer momento, uma dificuldade acrescida na digestão de certos alimentos. Os alimentos mal digeridos provocam náuseas, cólicas diarreia e gases geralmente num espaço de 30 minutos a 2 horas após a ingestão.
Existem diversos motivos para o nosso aparelho digestivo agir de um modo "apressado". Contudo, é possível atenuar o desconforto e prevenir alguns episódios, permitindo aos portadores de DII a manutenção de uma vida normal.
 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Nosso Suporte


Funcionando como o elo de ligação entre doentes, informação e técnicos, nunca é demais saudar o carinho e apoio com que somos acolhidos pela APDI. O que fazem por nós sente-se cá dentro e é dificíl sair sob a forma de palavras.
Assim, gostaria de usar este espaço para agradecer o apoio da APDI, salientando a importância e impacto que iniciativas como o summer camp tiveram na vida da comunidade mais jovem. Os laços de amizade criados e os momentos felizes vividos são a prova provada, que ultrapassar uma condição de saúde que, por vezes, nos impõe momentos difíceis, torna-nos mais fortes e ensina-nos a saborear com mais intensidade os momentos bons da vida.
Um grande abraço a todos! ;-D

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Gerir a ansidade

A ansiedade existe para nos proteger do perigo e pode ser reveladora de uma boa saúde mental, quando surge em doses adequadas e associada a situações que representem uma verdadeira ameaça à integridade física ou emocional das pessoas. Porém, é frequente sentirmos ansiedade em doses elevadas e em situações que não representam grandes ameaças. Nesses casos, a ansiedade não ajuda em nada, atrapalha muito ou até mesmo bloqueia a nossa capacidade de agir.
Além das diversas situações desencadeadoras de ansiedade que afectam a maioria das pessoas, os portadores de DII lidam, muitas vezes, com situações adicionais, encontrando-se as mais frequentes associadas a:

- Medo da evolução da doença;
- Medo da dor;
- Medo de ingerir algo prejudicial;
- Medo dos efeitos secundarios da medicação;
- Medo de falhar;
- Medo da incompreensão dos outros;
- Medo da rejeição social.

Os momentos de convívio com amigos ou familiares (festas, idas a espectáculos, refeições fora de casa, saídas nocturnas, idas à praia, piqueniques, viagens, etc) e as situações de exposição social (apresentação de trabalhos, entrevistas de emprego, uma aula de condução, discursos, etc), carregam geralmente alguma dose adicional de ansiedade associada ao pensamento "e se eu me sentir mal?". 

O nível de ansiedade causado por estas situações, vai depender das estratégias que cada um desenvolve para aceitar e lidar com os problemas. Na prática, acabamos por perceber que o nível de ansiedade é directamente proporcional à probabilidade de ter sintomas desagradáveis. 

A minha experiência pessoal sugere, que a melhor forma de lidar com esta situação é, num primeiro nível, aprender a controlar a ansiedade e num segundo nível, treinar estratégias de resolução de problemas, antecipando eventuais contextos desfavoráveis e planeando soluções para os mesmos.

Nivel 1:
- Identificar os sintomas de ansiedade (ritmo cardíaco acelerado, transpiração, mãos a tremer, vontade de roer as unhas, comichão na cabeça, frio ou calor injustificado, etc.). Sempre que tal acontece, usar uma técnica de relaxamento conhecida. (Comigo resulta inspirar profunda e lentamente, contando mentalmente até 4 e depois expirar lentamente, contando outra vez até 4 mentalmente. Repetir a operação até começar a sentir o efeito calmante da respiração. Focar o pensamento na ideia de "capacidade" também ajuda  - vai correr bem, ou eu consigo, eu sou capaz...)

- Tentar manter o sentido de humor relativamente à condição de saúde. Por mais que isso custe, às vezes, é necessário aprendermos a rir de nós próprios, ou da situação em que estamos. Se não o fizermos teremos a sensação que tudo se torna pior.


Nível 2:
- Antes da actividade pretendemos realizar, tentar fazer refeições leves, com alimentos que se conheça serem bem tolerados, pois as possibilidades de ter um episódio de urgência vão diminuir.
- Devemos levar sempre connosco lenços de papel, ou se possível, toalhetes de limpeza que permitam desenrascar em situação de necessidade.

- Levar uma caixa de fósforos pode ser muito útil, sobretudo quando usamos casas de banho em casa de amigos, ou onde outras pessoas irão. Se fizermos arder um pau de fósforo durante um "episódio mais mal cheiroso", deitando em seguida na sanita o pau de fosforo ardido, conseguimos controlar o mau odor tornando a situação mais privada.

- Procurar saber onde ficam as casas de banho nos locais onde vamos estar, identificando as que são menos procuradas para a eventualidade de termos que recorrer a uma com urgência.
- Ter um plano de fuga, que inclui, escolher sentar-se num local de fácil acesso à saída (ponta da fila do cinema, perto da porta, na ponta da mesa); levar o próprio carro, ou garantir transporte urgente, quando saímos com amigos, pois tal permite sair em caso de necessidade (é sempre útil ter no carro papel, água, sacos de plástico e uma toalha).  

- Ter sempre connosco um casaco ou uma sweatshirt para poder colocar à cintura em caso de acidente, permitindo assim, resolver a situação sem que a mesma seja notada por toda a gente.